Empregos que ainda não foram inventados: garoto caminha em uma rua

Um futuro de empregos que ainda não foram inventados

O Diretor Executivo do Instituto Singularidades, Miguel Thompson, fala a seguir sobre um dos maiores desafios que a escola enfrenta nos dias de hoje: preparar os estudantes para carreiras não tradicionais, que exigem outro tipo de competência dos alunos.

Espaço de tradição por excelência, a escola sempre foi o lugar onde os conhecimentos da humanidade foram sendo empacotados para, depois, ser transmitidos. O conteúdo sempre seguiu um caminho da pesquisa pura e aplicada, da universidade até a transposição didática na educação básica. Mas o estudante acabou sempre olhando para o retrovisor, para o passado.

Desde a popularização da escola, em plena Revolução Industrial (século XIX), esse modelo mostrou-se correto para a formação de mão de obra da intensa industrialização e urbanização dos dois últimos séculos.

Foi apenas a partir dos anos 1970, com o acesso aos meios de comunicação e o surgimento da cultura digital, que abriu-se um hiato entre a escola e sociedade. O Bug do Milênio – que acabou por não ser o “apocalipse” esperado – prenunciou modificações importantes, dos meios de trabalho à produção artística e aos processos de formação, tudo numa rápida transformação não acompanhada pelos currículos.

A escola de agora não pode ter como ponto de partida apenas o conhecimento produzido: ela deve projetar as possibilidades e necessidades do futuro. Além do retrovisor para entender o passado, os currículos precisam acender os faróis dianteiros e iluminar os caminhos ainda não trilhados do porvir. Elaboradores de currículo e professores deverão cada vez mais ler tendências e projetar aulas para este novo mundo.

E neste contexto imprevisível, muitas das profissões até agora conhecidas estão sendo extintas ou modificadas, e diferentes ocupações e trabalhos aparecem a cada dia. Temos contratos lidos por algoritmos e diagnósticos médicos elaborados via inteligência artificial, para ficarmos em alguns exemplos contundentes.

Profissões tradicionais vão sofrendo transformações que pedem aprimoramentos ou novas competências. Mas como identificar e desenvolver conhecimentos duradouros, se não há como prever o que ocorrerá nos próximos meses?

A explosão da cultura maker

Esta nova escola precisará “enxugar” conteúdos enciclopédicos e aprimorar a curadoria, identificando essências e eliminando obsolescências; criando experiências de contextualização e aplicação; e incentivando um comportamento investigador e aberto ao desconhecido.

Por meio de um currículo com maior flexibilidade e contextualização, com mais inovações e aberto às emergências do mundo complexo, professores poderão ensinar menos e melhor, promovendo o diálogo e respeitando a cultura infanto-juvenil e a diversidade da sociedade.

Este processo inovativo pedirá soluções coletivas e negociadas. Nesse contexto, será fundamental desenvolver empatia e alteridade como valores, aceitar o outro com suas ideias e idiossincrasias, mais do que prender-se a moralismos.

No lugar de sujeitos passivos, à espera de uma vaga numa empresa, será necessário incentivar a cultura maker, a dos fazedores proativos, dispostos a desenvolver soluções para os problemas, dos mais simples aos mais complexos, num desafiante jogo de desafios.

Para tanto, a escola deve trazer questões contemporâneas para seu interior e levar os estudantes a imersões extraescolares, promovendo a cultura da emergência, da complexidade, do empreendedorismo e da dialética tentativa-erro.

Esta escola com foco no transitório, que conecta tradição à modernidade e está ligada a contextos reais e eticamente responsáveis tem tudo para trazer significado aos estudantes e contribuir para a sociedade.

Desta forma, ela terá condições de apresentar ferramentas realmente efetivas de modificação do mundo, ampliar a empregabilidade dos jovens e até desenhar novas funções, baseadas em demandas de suas próprias invenções.

Mas a via é inegavelmente de mão dupla. No novo paradigma é importante que o mundo do trabalho se aproxime da escola. O ambiente corporativo precisa se humanizar, abrir-se para a inovação com tolerância aos erros, acolhendo a cultura jovem como fator decisivo para o rejuvenescimento das corporações e como elemento de aprendizado, num processo constante de retroalimentação.

Sobre o autor

Miguel Thompson é Diretor Executivo do Instituto Singularidades.  Licenciado em Biologia pela Universidade Mackenzie, doutor e mestre em Oceanografia pela Universidade de São Paulo (USP), Thompson também tem um MBA em Marketing pela Fundação Instituto de Administração. 

Texto adaptado de post do Blog Singularidades

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