Violência online: amigas se apoiam

Think Olga mostra o que fazer em caso de violência online

Mensagens virtuais podem ter consequências bem reais para quem é vítima da violência online. Agressões, xingamentos, chantagens, demonstrações de racismo, machismo e homofobia, além de outras formas de preconceito, mesmo quando manifestadas apenas pelas redes sociais, causam sofrimento, medo e preocupação para as vítimas.

Conheça o curso online Assédio Sexual: Prevenção e Combate, do Veduca!

Para apoiar pessoas que sofrem essa forma de abuso, a organização feminista Think Olga, parceira de conteúdo do Blog do Veduca, criou uma página com orientações sobre como agir em caso de um ataque virtual.

Chamada de Conexões que Salvam, a iniciativa conta com o apoio do Facebook e reúne, em uma única página, um teste para que mulheres conectadas à internet identifiquem se sofreram violência online, estatísticas sobre o tema, informações a respeito de como denunciar uma agressão e dicas para dificultar que esse tipo de problema aconteça.

Violência online afeta a saúde e a sociabilidade

A utilidade desse tipo de página encontra justificativa na enorme quantidade de casos de mulheres que sofrem ataques sexistas e ameaças de violência física ou que têm fotos e conversas íntimas reveladas por ex-parceiros, por exemplo.

Um levantamento de 2015, realizado pela Comissão de Banda Larga da Organização das Nações Unidas, em 86 países, mostrou que 73% das mulheres que usam a internet já foram expostas a algum tipo de violência na rede.

Exemplos envolvendo celebridades não faltam. A atriz Taís Araújo e a jornalista Maria Júlia Coutinho já foram alvos de ataques racistas. Haters já ameaçaram de morte Débora Secco e sua filha de um ano de idade. Carolina Dieckmann deparou-se com imagens em que ela estava nua serem divulgadas para quem quisesse ver (o caso, aliás, levou os parlamentares a tipificar como infrações no Código Penal condutas ligadas a invasão de computadores ou a vazamento de arquivos de interesse privado).

Mulheres “comuns” também enfrentam esse tipo de problema, obviamente. Para ficar em apenas dois exemplos: esta reportagem da revista Capricho sobre a estudante de Jornalismo Jessyka Faustino mostrou que a garota foi alvo de xingamentos e comentários agressivos nas redes sociais, vindos de desconhecidos, por ser uma mulher gorda, enquanto esta reportagem do jornal O Estado, do Maranhão, contou o caso de uma professora universitária que teve seu quadro de depressão agravado depois que ela passou a receber mensagens virtuais ameaçando-a de morte por ser lésbica.

De fato, as agressões virtuais podem provocar danos à saúde mental e física das mulheres que sofrem esse tipo de abuso.

“As consequências são tão ou mais devastadoras do que no mundo offline. Além da vergonha e da culpa, a violência online contra mulheres leva as vítimas a depressão, estresse, distúrbios de sono, pensamentos suicidas. Na vida pública, elas sofrem com o isolamento de familiares e amigos e com a privação da vida social. Muitas vezes, perdem o emprego e precisam mudar de rotina, de cidade, de vida”, explica o texto da Think Olga sobre a iniciativa Conexões que Salvam.

Como combater a violência online

Por todas as suas consequências negativas, a violência online não pode ser naturalizada. Um primeiro passo, como mostra a página da Think Olga, é perceber se você foi ou está sendo vítima de abusos virtuais.

Por exemplo, se você já teve fotos suas divulgadas sem autorização e ficou incomodada com isso, se já teve que ler ofensas em seus perfis nas redes sociais por alguma condição ou crença (ser mulher, gorda, negra, bissexual, evengélica, cadeirante) ou se já viu comentários incitando a violência contra a mulher, isso significa que você presenciou ou foi alvo de violência online.

Um segundo passo é saber que, no mundo da internet, você tem os mesmos direitos a liberdade, respeito e privacidade que você tem no mundo “concreto”. O site do Conexões que Salvam deixa claro que a rede mundial não é uma terra sem lei e que ninguém precisa sofrer violência online calada.

Outro ponto importante que a página ressalta é a necessidade de a vítima se livrar da culpa. O responsável pela violência online (assim como no caso da violência offline) contra a mulher é o agressor. Aquilo que a vítima veste, o número de parceiros que ela tem ou a forma como ela expressa sua sexualidade jamais podem servir de justificativa para uma agressão.

Esclarecido esse ponto, a etapa seguinte é definir como lidar com a violência online de que você foi vítima, se você identificou que esse foi o seu caso. A página oferece links para sites que acolhem ou orientam as vítimas, como o Safernet e o FAQ Racismo. Também explica sobre como colher evidências que podem ajudar a comprovar o crime virtual (prints e links) e a quem recorrer para fazer uma denúncia.

Por fim, a página Conexões que Salvam ainda mostra dicas para dificultar os ataques de haters, que incluem desde precauções conhecidas, como a de não adicionar à sua lista de amigos ou de seguidores perfis de pessoas que você não conhece ou sobre as quais não têm  nenhuma referência, até instruções sobre a importância de ajustar as configurações de privacidade nas redes sociais.

“É preciso prevenir, combater e punir a violência online contra as mulheres. Todos podem fazer sua parte para construir um ambiente digital mais seguro e acolhedor para todos e todas”, aponta o texto do site.

Sobre a Think Olga

Saiba mais sobre violência online

  • O vídeo abaixo faz parte da campanha #MandaPrints, que a Think Olga desenvolveu para estimular mulheres vítimas de violência online a buscar apoio e orientá-las sobre como denunciar o agressor. Nele, a fundadora da organização, Juliana de Faria, conta como as ameaças virtuais afetaram sua vida. Ela também explica como reagir se algo assim acontecer com você.

  • Esta reportagem da revista Veja, publicada em 2017, mostrou que, naquele ano, a polícia indiciou três pessoas, pela primeira vez no Brasil, por “estupro” na rede. Os acusados chantageavam mulheres pela internet para obter vídeos e fotos de situações íntimas, o que configurou, para os delegados responsáveis pelos casos, uma forma grave de violência online sexual.

Créditos das fotos

Foto da chamada (mulheres demonstrando apoio a uma amiga): Rosie Fraser no UnsplashVeja aqui a foto.

Compartilhe este post:

Sem comentários