Mulheres Incríveis: Sônia Guajajara

Mulheres Incríveis: o poder feminino em diversas versões

Mulheres Incríveis não seria um nome estranho para um filme cheio de efeitos especiais e celebridades interpretando super-heroínas perfeitas. Mas é também como o Veduca batizou sua série de conteúdos para celebrar e destacar o protagonismo feminino no Brasil.

Nas mini-histórias que vamos compartilhar, em comemoração a este Dia das Mulheres, não há heroínas. As oito personagens principais são de carne e osso e enfrentam dificuldades. Porém, elas se destacam justamente por serem maravilhosamente humanas – tanto no sentido de serem complexas, como qualquer ser humano é, quanto no sentido de serem solidárias e empáticas, como nem todo ser humano consegue ser.

Nas redes sociais e aqui no Blog do Veduca, você conhecerá um pouco mais sobre elas. Convidamos você a pensar nos exemplos de força, inteligência e capacidade que elas oferecem e também a se perguntar que outras mulheres poderiam estar nesta série. É tempo de reconhecer o poder feminino em suas mais diversas versões.

Neste post, você conhecerá quatro das Mulheres Incríveis. Na semana que vem, serão outras quatro (o que elas fazem é tão sensacional que não dá para contar tudo de uma vez!).

4 mulheres incríveis que vão inspirar você

Sônia Guajajara

Uma das líderes indígenas mais influentes do Brasil, Sônia circula com a mesma desenvoltura em ambientes diplomáticos, político-partidários e familiares.

Nos espaços diplomáticos, destacou-se por levar a encontros de relevância global a perspectiva de seu povo, o Guajajara/Tenetehara da Terra Indígena Araribóia, no  Maranhão, e a dos “parentes”, como os indígenas de qualquer etnia costumam se chamar entre si. Participante das Conferências Climáticas da ONU (COPs), nas quais esteve presente por cerca de dez anos, Sônia defendeu diante de líderes de governo de todo o mundo a urgência de medidas mais significativas para conservarmos as florestas que nos restam e, assim, mitigarmos as mudanças climáticas e seus impactos brutais sobre toda a humanidade.

No aspecto político-partidário, destacou-se por ser a primeira indígena a se candidatar à Vice-Presidência do Brasil, em 2018. Antes disso, porém, já era reconhecida como uma militante pelos direitos indígenas extremamente atuante e eloquente.

Ela é coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e ocupou também cargos de direção na Coiab (Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), duas das organizações indígenas mais representativas do país.

Já no âmbito familiar, Sônia impressiona pela sua capacidade de superar desafios e de entusiasmar as comunidades indígenas. Filha de pais analfabetos, recebeu uma ajuda da Fundação Nacional do Índio (Funai) e foi morar fora da sua região pela primeira vez, aos 15 anos, para poder cursar o Ensino Médio.

Depois de concluir o curso em Minas Gerais, voltou ao Maranhão, entrou na faculdade e formou-se em Letras e Enfermagem. Na sequência, já fez uma pós-graduação em Educação Especial.

Da mesma forma que concluiu seus estudos contra todas as probabilidades, soube se manter conectada às necessidades dos Povos Indígenas e conquistou respeito nesse grupo, mesmo convivendo tão intensamente com os “brancos”.

Ouvir Sônia falar significa imediatamente reconhecer sua sinceridade e a articulação lógica de seu discurso. Assim como transita bem entre as casas de madeira ou palha das aldeias e os prédios acarpetados dos fóruns políticos, ela consegue cativar seus interlocutores pela razão pura e simples, mas também pela emoção genuína de enxergar que ela vivencia a causa que tão bem defende.

Assista a seguir a uma entrevista de Sônia Guajajara à Agência Pública sobre sua experiência como mulher e líder indígena.

Juliana Martinelli

Imagine se construir uma casa fosse tão fácil quanto imprimir um documento. Pois é mais ou menos isso que a engenheira elétrica Juliana Martinelli está conseguindo fazer.

Aos 26 anos, ela já fundou uma empresa de impressão de casas, a Inova House 3D, e desenvolveu um modelo de uso das impressoras 3D que permitirá a fabricação de uma casa inteira em 15 dias.

Como mostra esta reportagem da revista Você S/A, a “tinta” da impressora que Juliana utiliza é composta por cimento, areia, água e aditivos que dão resistência à construção. A primeira casa a ser impressa será instalada em Brasília e terá 54 metros quadrados.

As vantagens da tecnologia que Juliana ajuda a desenvolver no Brasil são impressionantes. A impressão 3D é umas das fronteiras mais celebradas da tecnologia atual, justamente por permitir a fabricação de produtos dos mais variados tipos a um preço muito menor e com uma velocidade e uma flexibilidade logística muito maiores.

O mundo ainda está começando a explorar as possibilidades que as impressoras desse tipo oferecem, mas já é possível encontrar de bicicletas a próteses, de remédios a substitutos para a pele humana, tudo fabricado nessas máquinas.

Expandir seu uso na construção civil pode ser uma das formas de democratizar o acesso a moradias de qualidade e, ainda, reduzir os acidentes de trabalho no setor.

O projeto de Juliana torna-se ainda mais interessante por se desenvolver no Brasil, um país que não se encontra entre os líderes globais em inovação tecnológica e onde a participação de mulheres na Ciência, em especial nas áreas de Exatas, como Engenharia, ainda é muito baixa.

Com as casas 3D, a engenheira com nome de arranha-céu – Martinelli foi o primeiro grande edifício residencial de São Paulo – está mostrando que é possível usar a tecnologia para facilitar a resolução de desafios sociais e financeiros.

No vídeo abaixo, do canal da BuildIn no YouTube, Juliana explica um pouco mais do seu trabalho. Confira por que ela é uma das Mulheres Incríveis que nos inspiram!

Heliana Hemetério

Heliana é daquelas pessoas que já se engajaram em tantas lutas que acabaram se tornando, elas mesmas, símbolos da capacidade humana de buscar um mundo melhor.

Negra e lésbica, ela milita há mais de 30 anos pelo respeito aos direitos das mulheres e pelo fim do racismo e da transfobia.

Esta reportagem da ONU Brasil, reproduzida pelo site da Agência AIDS, explica que o ativismo de Heliana começou pelo movimento negro, mas ao perceber que algo estava faltando nas discussões que presenciava sobre o tema, o gênero, resolveu se embrenhar no movimento feminista.

Nos anos 1980, aproximou-se de grupos políticos LGBT+. Em todos esses espaços contribuiu para ampliar a percepção sobre a natureza dos problemas que esses grupos enfrentam.

Para ela, as causas feminista, negra e LGBT+ estão interligadas, por isso, os diferentes movimentos precisam se articular melhor para conquistar mudanças mais efetivas.

“Não abrimos mão daquilo que a gente acredita, que é a defesa de nossos direitos. Precisamos ampliar totalmente a nossa discussão, fazendo uma interlocução entre todos os outros movimentos”, disse Heliana, na entrevista para a ONU Brasil.

Formada em História, ela ainda desenvolve pesquisas sobre gênero e raça, ao mesmo tempo em que segue emprestando sua visão lúcida e sua energia para a causa LGBT+, como vice-presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Ela também é titular no Conselho Nacional de Saúde (CNS), onde representa o segmento LGBTI. Aos 65 anos, Heliana leva a busca por direitos fundamentais – como poder existir sem ser atacada por seu gênero, orientação sexual e cor da pele – a um raro patamar de profundidade e comprometimento.

Veja a seguir um vídeo em que Heliana, uma das Mulheres Incríveis, explica a importância da representatividade de mulheres negras na política e em postos-chave da sociedade. O vídeo foi publicado pelo canal Agora Joinville, no YouTube.

Carmen Botelho

Outra das Mulheres Incríveis que o Veduca homenageia é a diretora do Centro de Reeducação Feminina (CRF) de Ananindeua, município da Grande Belém, no Pará.

Carmen Botelho conseguiu desenvolver, em um dos estados mais pobres do Brasil, uma iniciativa de humanização do cárcere que está servindo de modelo para organizações que trabalham com o tema em estados com muito mais recursos, como São Paulo.

Entre os projetos que Carmen implantou estão um jardim sensorial cuidado pela internas, que ajuda a reduzir a tensão do ambiente carcerário, e uma cozinha em que as mulheres presas aprendem a preparar refeições nutritivas e baratas para seus filhos, de forma a melhorar as condições de vida das crianças.

As presas também têm acesso a palestras sobre prevenção à violência doméstica e ao uso de drogas.

Um ponto importante do trabalho de Carmen é que ela estimula as mulheres presas a retomarem os estudos. Outro destaque foi oferecer condições para que elas formassem a primeira cooperativa do Brasil composta por detentas.

A produção de utensílios domésticos e brinquedos gera renda para as famílias dessas mulheres e abre perspectivas reais para elas buscarem novos caminhos, quando terminarem de cumprir sua pena.

De acordo com esta reportagem do site do Tribunal de Justiça do Pará, a diretora também desenvolve um programa chamado Novo Olhar sobre o Cárcere, formado por vários projetos, com a finalidade de minimizar o impacto do aprisionamento. Exemplo de ação desenvolvida nesse contexto é um coral formado pelas detentas.

Os resultados do projeto são benéficos para as mulheres encarceradas e para a sociedade. Botelho explica que houve redução no número de presas, em parte porque as que ficaram no CRF por algum tempo e puderam sair não voltaram mais para o mundo do crime.

“Eram 600 mulheres, quando eu comecei (em 2013). Não acho que seja exclusivamente pelos programas, mas eles ajudam muito. Para dar um exemplo, das mais de 200 mulheres que passaram pela cooperativa de artesanato, nenhuma delas reincidiu em crimes”, comentou, na entrevista para o site do TJ-PA.

O trabalho de Carmen Botelho inspirou a ONG Humanitas 360 a replicar em penitenciárias paulistas as iniciativas que deram certo no Pará.

Neste vídeo, da BBC World News, é possível conhecer melhor as transformações que Botelho está liderando.

Saiba mais sobre mulheres incríveis

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  • Duas outras mulheres incríveis estão trabalhando, em conjunto com o Veduca, para conscientizar mais pessoas sobre formas de evitar o assédio. São a jornalista Ana Addobbati e a advogada Nathália Waldow, sócias da Women Friendly, primeira start-up da América Latina a certificar empresas e estabelecimentos que tomam medidas contra o assédio. Elas lançaram o curso online Assédio Sexual: Prevenção e Combate, disponível no Veduca, e deram estas entrevistas para o Blog do Veduca (Ana e Nathália). Vale a pena conhecê-las!

Créditos das fotos

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