Investir para a aposentadoria: mãos de uma idosa

Investir para a aposentadoria: reforma trará novos desafios

O trabalhador que deseja investir para a aposentadoria terá pela frente novos desafios, caso a reforma da Previdência seja aprovada.

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Quem afirma isso é a consultora em investimentos Sandra Blanco, da Órama, que o Blog do Veduca entrevistou para entender melhor o impacto das mudanças previdenciárias sobre o bolso do pequeno investidor.

Para a especialista, as transformações presentes na proposta que o governo apresentou à sociedade, em fevereiro deste ano, serão significativas. Blanco defende a reforma, por acreditar que esse rearranjo é necessário ao equilíbrio das contas públicas. Porém, ela explica que as mudanças devem trazer um aperto nos benefícios concedidos aos aposentados.

Com isso, caberá ao cidadão, mais do que nunca, poupar por conta própria, se quiser garantir uma vida financeiramente confortável quando estiver fora do mercado de trabalho.

“O investidor terá que tomar a frente para garantir sua aposentadoria”, define a especialista.

Mudança de mentalidade do trabalhador

Blanco afirma que o INSS, por ser retido na fonte, no caso do trabalhador com carteira assinada, muitas vezes não entra no radar mental das famílias como um investimento necessário à saúde financeira na velhice.

Hoje, ela diz, a sensação para muitos trabalhadores em regime CLT é de que a aposentadoria “está garantida”. Isso por que o empregado com carteira assinada nem sequer vê o dinheiro destinado à aposentadoria entrar no seu bolso. Ele tampouco precisa escolher como vai aplicar esse dinheiro, já que a soma é recolhida diretamente para os cofres da Previdência.

Porém, quanto mais duras ficam as condições para se aposentar pelo INSS, mais necessário se torna complementar essa fonte de renda com um investimento próprio. Segundo a consultora da Órama, poupar para o longo prazo e por conta própria exige disciplina e empenho em conhecer os produtos financeiros à disposição no mercado.

4 mudanças que a reforma da Previdência trará a quem quer investir para a aposentadoria

Investir para a aposentadoria: pessoa mostra moedas em sua mão direita.

Por enquanto, nada está decidido em relação à reforma. É possível que a proposta apresentada mude bastante durante a tramitação no Congresso. Também existe a possibilidade de reforma alguma ser aprovada.

Outro ponto a se lembrar é que a reforma está longe de ser unanimidade. Uma parcela considerável da população se manifesta contra as transformações no sistema de aposentadorias.

Uma das linhas de argumentação mais presentes é a que considera que a melhor forma de reduzir o rombo da Previdência é cobrar os grandes devedores do INSS. Há também muitos analistas que se posicionam contra a reforma por considerar que as mudanças propostas são prejudiciais aos trabalhadores mais pobres.

De outro lado, a maioria dos economistas e dos consultores em investimentos parece defender a reforma, que segundo esse grupo é essencial para evitar o colapso financeiro do governo. Esses especialistas acreditam que “alguma reforma” passará no Congresso.

É o caso de Sandra Blanco, que entrevistamos para este post. Ela tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro e já trabalhou como conselheira e tesoureira da BPW Rio. Ela também tem Mestrado em Economia e MBA em Finanças, ambos pelo IBMEC, e é autora de livros voltados ao público feminino sobre investimentos, como Mulher inteligente valoriza o dinheiro, pensa no futuro e investe e A Bolsa para mulheres.

O curso online Finanças Pessoais e Investimento em Ações, desenvolvido pelo Veduca em parceria com a B3, também é recomendado para quem quer saber mais sobre como poupar para o futuro e realizar sonhos.

Sobre a Reforma da Previdência, confira também os posts:

Reforma da Previdência: o que mudará nas finanças pessoais?

Melhores investimentos em tempos de reforma da Previdência

Neste post listamos a análise de Blanco sobre as transformações que a reforma da Previdência trará a quem deseja investir para a aposentadoria, ou seja, com um horizonte de longo prazo.

Leia a seguir as quatro mudanças às quais o trabalhador terá que estar atento, de acordo com a especialista da Órama.

1)   O INSS será ainda menos generoso do que é hoje

Sandra explica que enxerga a reforma da Previdência como necessária para que o país entre em um ciclo de crescimento sustentado e para a própria sobrevivência do sistema de aposentadorias. Porém, ela reconhece que o INSS tende a se tornar mais duro do que é hoje, para a maioria dos cidadãos.

Um dos pontos cruciais da reforma é a mudança na idade mínima para a aposentadoria, que subirá de 60 para 65 anos, no caso das mulheres, e de 62 para 65 anos, no caso dos homens. Isso significa que o trabalhador terá que investir mais do que atualmente, para poder usufruir do benefício pelo sistema público.

Além disso, caso a reforma seja aprovada, a alíquota de contribuição deve subir para diversas categorias profissionais, como a dos servidores públicos e a dos militares (no caso dos militares, as mudanças serão propostas via projetos de leis, mas devem tramitar paralelamente à Proposta de Emenda Constitucional da reforma da Previdência dos civis) . Novamente, a tradução disso é que mais dinheiro terá que sair do bolso do trabalhador para que ele possa se aposentar.

Outra mudança possível é a criação do sistema de capitalização para a população que ainda não começou a contribuir para o sistema atual. Hoje, no regime de repartição, os cidadãos mais jovens bancam a aposentadoria dos mais velhos, em troca do compromisso de que receberão o mesmo benefício quando envelhecerem.

Na capitalização, o cidadão costuma receber, no fim do período de contribuição, a soma do que ele investiu ao longo da vida, acrescida do rendimento obtido no período. A diferença em relação ao sistema atual é que o Estado garantiria apenas um salário mínimo por mês ao trabalhador. O restante da renda viria do valor que o trabalhador depositou ao longo da vida. É um modelo mais semelhante ao da Previdência privada, portanto.

Discute-se, ainda, uma possível redução no teto das aposentadorias.

Nesse cenário de alterações, a contribuição para o INSS tende a se tornar menos vantajosa. Como o trabalhador com carteira assinada não pode decidir se quer ou não pagar a Previdência, pois ela é abatida na fonte, a solução para manter um padrão de vida similar ao do período de atividade profissional será investir uma parcela do próprio salário em alguma forma de poupança para a maturidade.

“Tenha um plano B para complementar a contribuição ao INSS”, resume Sandra Blanco.

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2)   Previdência privada pode impor a disciplina que será cada vez mais necessária

Dado que o plano B será necessário, deve aumentar a disciplina exigida de quem quer investir para a aposentadoria, especialmente para os trabalhadores mais jovens.

É comum que o investimento de longo prazo seja deixado de lado, quando a situação no curto prazo aperta. Porém, os analistas financeiros são unânimes em afirmar que é a regularidade da aplicação que constrói o sucesso de uma poupança para a velhice.

“É fundamental começar cedo e não deixar de contribuir”, explica Sandra Blanco.

Em outras palavras, quem não conseguir se organizar para investir “religiosamente” na complementação da aposentadoria tenderá a se frustrar no futuro. Por isso, a Previdência privada surge como uma alternativa ainda mais interessante em tempos de reforma do sistema público.

Primeiro, porque a contribuição para esse sistema é, muitas vezes, abatida na fonte. Mesmo quando a Previdência privada não está vinculada à empresa onde o empregado trabalha, é possível programar um débito automático para o dia do pagamento, por exemplo.

Quando a parcela destinada à complementação da aposentadoria sequer cai na conta, porque é “desviada” automaticamente para a reserva de longo prazo, fica mais difícil se descontrolar.

Em segundo lugar, muitas empresas oferecem o benefício de coparticipação no investimento em Previdência privada. Por exemplo, o trabalhador aplica 8% do seu salário e a empresa entra com o mesmo valor todo mês, o que permite dobrar a quantia investida.

Para quem pode contar com esse benefício, contribuir para a Previdência privada costuma ser uma ótima opção.

Blanco faz uma ressalva, porém. Os trabalhadores que estão próximos da aposentadoria podem ver mais vantagem em investir para a aposentadoria por meio de uma carteira própria, que ofereça rentabilidade maior do que a Previdência privada.

Isso é mesmo recomendável, segundo a especialista, mas exige disciplina total, alguma disposição ao risco e vontade de se informar sobre os produtos financeiros disponíveis.

3)      Mais pessoas terão que abraçar a renda variável  

Como mostramos no post anterior do Blog do Veduca, a previsão da Órama para o cenário pós-reforma da Previdência, se as mudanças forem aprovadas, é de estabilidade da inflação e dos juros em patamares baixos e de elevação do otimismo entre as empresas.

Isso provavelmente atrairá mais investidores de curto e médio prazo para aplicações em renda variável, ou seja, aquelas em que não está claro quanto o investidor vai ganhar, ao fim do período.

É o caso das ações e dos fundos de ações, que ao contrário da poupança ou dos títulos públicos, por exemplo, não podem indicar quanto pagarão ao investidor pelo dinheiro aplicado, já que é impossível prever com certeza como o mercado acionário vai se comportar.

Para quem quer investir para a aposentadoria, é preciso cautela com a renda variável e os riscos que ela envolve. Ninguém deseja queimar sua garantia de vida digna na velhice, não é mesmo? Porém, a combinação entre renda fixa e renda variável pode ajudar a ampliar a rentabilidade dos seus investimentos, ao mesmo tempo em que mantém baixo o risco de perdas.

“A gente deve entrar em um novo cenário, em que o investidor terá que correr mais riscos até mesmo se quiser preservar o patrimônio”, afirma Sandra Blanco. “Os brasileiros não tínhamos necessidade de arriscar, até pouco tempo atrás, porque as taxas de juros eram muito altas e dava para obter rentabilidade em produtos de risco quase zero. Isso está ficando cada vez mais difícil”, ela diz.

Segundo a consultora, a proporção da renda variável no valor total das aplicações deve aumentar quanto mais jovem o trabalhador começar a investir para a aposentadoria. Para alguém com cerca de dez anos de carreira e até a faixa dos 30 ou 35 anos de idade, por exemplo, ela diz que as ações podem representar até 40% do todo.

Já para o investidor que se aproxima ou passa dos 40 anos de idade, ela diz que 20% de aplicações em renda variável costumam ser uma boa medida.

“É dessa parte do investimento que deve vir um ganho extra de rentabilidade”, afirma Blanco.

Os 80% restantes trarão uma rentabilidade um pouco menor, mas garantirão que o risco de perdas permaneça aceitável. Uma dica da especialista para o investidor de perfil conservador é que ele vá migrando aos poucos para as ações, até chegar ao mix recomendado.

“Depois que você começa a investir nesse mercado e a dinâmica fica mais clara, você ganha tranquilidade para ampliar os recursos destinados à renda variável”, explica a consultora.

Outra sugestão para perder o medo é estrear pelos fundos de ações, produtos em que um gestor profissional administra a carteira. Sandra lembra que uma valorização média de 15% ao ano é quanto se espera como remuneração pelo risco de investir nesse tipo de fundo.

Cabe lembrar mais uma vez que essa não é uma regra e que os ganhos passados não garantem rentabilidade futura, ou seja, você pode ganhar muito mais ou muito menos do que 15% ao aplicar em um produto desse tipo. Você pode, inclusive, perder dinheiro ao investir em ações. Por isso, é importante que, ao investir para a aposentadoria, essa parcela da sua renda não seja aquela da qual você dependerá para sobreviver.

Também é importante ter em mente que o investimento em renda variável tem altos e baixos e que os ganhos podem não vir no curto prazo. Sabendo disso, evite aplicar valores dos quais você pode precisar em breve, pois se você tiver que tirar dinheiro do fundo em um momento de baixa daquela carteira, o risco de perdas será maior.

Sandra Blanco ressalta que existem fundos de ação que dispõem de estratégias de proteção contra perdas exageradas e que são menos voláteis do que os fundos de ações tradicionais.

Vale perguntar ao gerente ou consultor de uma instituição em que você confia sobre as possibilidades de aplicação nessa categoria de fundos com “travas” contra perdas, se você achar que não tem sangue frio para suportar risco ilimitado.

A especialista explica, ainda, que conforme o investidor vai acompanhando o desempenho do fundo de sua escolha e entendendo o funcionamento da Bolsa de Valores, pode adquirir confiança para investir diretamente em ações, se quiser dar esse próximo passo.

O Veduca oferece um curso online de Finanças Pessoais e Investimento em Ações, que pode ajudar você a entender melhor como navegar pela renda variável.

Veja também o vídeo abaixo, da Exame.com, sobre como investir na Bolsa pela primeira vez.

4)   A “regra dos 8%” ganhará peso

Como conta Blanco, a literatura sobre finanças pessoais criou um relativo consenso de que um índice adequado de poupança de longo prazo, para o trabalhador que deseja investir para a aposentadoria, é o de 8% de sua renda.

Isso quer dizer que a maioria dos analistas considera que se você separar para sua aposentadoria pelo menos 8% do que ganha todo mês, durante muitos anos, conseguirá manter seu padrão de vida mesmo depois de inativo profissionalmente.

Esse percentual facilita os cálculos, inclusive: 8% da sua renda mensal representarão, ao fim de um ano, 96% do seu salário, ou seja, é praticamente como se você guardasse para a aposentadoria um salário por ano de atividade laboral. Ao longo de 20 anos de trabalho, por exemplo, você terá poupado quase 20  salários.

Parece pouco para viver durante todos os anos de aposentadoria, mas se esse valor for sendo acumulado em aplicações que rendam um ganho real significativo, ele se multiplicará a ponto de proporcionar um estilo de vida próximo ao do período de atividade.

O que garantirá o seu conforto na aposentadoria, portanto, é justamente a qualidade dos investimentos escolhidos, o tempo que o dinheiro ficará aplicado (quanto mais, melhor) e, como já dissemos acima, a regularidade da porcentagem investida.

Programar-se para investir para a aposentadoria ao menos 8% de sua renda mensal, mesmo em momentos em que a vontade de poupar diminui, fará a diferença no futuro.

Saiba mais sobre como investir para a aposentadoria

Está difícil fazer sobrar dinheiro para a velhice? Este post do Blog do Veduca compartilha dicas de especialistas para você organizar suas finanças. Será o primeiro passo para você conseguir investir para a aposentadoria.

Créditos das fotos

Foto da chamada (mãos de uma mulher idosa): Claudia van Zyl no UnsplashVeja a foto aqui

Pessoa mostrando moedas: Jordan Rowland no Unsplash Veja a foto aqui

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