Gestão de conflitos: placa indica

Gestão de conflitos: 7 atitudes para evitar embates inúteis

Gestão de conflitos é um campo em que líderes de equipe precisam saber se guiar com precisão.

Profissionais que trabalham em consultorias de Recursos Humanos afirmam que a habilidade de resolver discordâncias de maneira produtiva tem se mostrado essencial para o sucesso de gestores em qualquer área de atuação. Há dois motivos para isso.

O primeiro é que conflitos aparecerão. Esse é um dado da vida, segundo psicólogos e estudiosos da Administração.

É impossível abolir totalmente os conflitos, porque eles nascem da diferença de visões de mundo que cada indivíduo tem. Mais do que isso, não só é inútil querer viver em um ambiente sem embates como é pouco produtivo tentar evitá-los a qualquer custo.

Conflitos podem nos trazer uma compreensão mais profunda dos outros e de nós mesmos. Também é possível que eles contribuam para que que nos esforcemos mais e para que encontremos soluções mais efetivas para as questões que levaram ao desacordo.

Gestão de conflitos ou alquimia?

Gestão de conflitos: alquimista
Recriação artística da figura do alquimista: líderes de equipe habilidosos/as transformam conflitos em conversas produtivas – e sabem diferenciar os embates que podem ser construtivos daqueles que não geram nada de bom.

O segundo motivo para que um líder de equipe tenha boas ferramentas de gestão de conflitos em sua bagagem é que, apesar de constituírem oportunidades de crescimento, os embates também podem se mostrar destrutivos, se não forem bem gerenciados.

Rotatividade elevada, queda na produtividade e até problemas legais são algumas das consequências dos conflitos em equipe, nas empresas que não conseguem lidar adequadamente com as desavenças.

Em resumo, um bom chefe consegue conter o potencial negativo do conflito e extrair do embate percepções valiosas sobre as pessoas, a empresa ou o setor.

Para transformar esse chumbo em ouro, o líder de equipe não precisa ser alquimista, mas deve usar sua sensibilidade para identificar que conflitos valem a pena.

Escolha suas batalhas

Algumas contendas nascem de diferenças inerentes ao trabalho ou à personalidade dos membros da equipe.

Por exemplo, quando duas pessoas têm concepções muito distintas dos rumos que a empresa deve tomar ou quando diferentes estilos de trabalho acabam se chocando.

O chefe precisa ajudar a equipe a chegar a um ponto de convivência razoavelmente harmoniosa, para evitar brigas ou a paralisia do time.

Porém, é difícil que ele consiga evitar que as pessoas tenham pontos de vista ou estilos diferentes – e, como dissemos, abafar os conflitos pode ser inclusive um desperdício da oportunidade de explorar novas perspectivas.

Já outras formas de embate surgem de situações que poderiam ser evitadas ou que pouco têm a contribuir para a evolução do grupo. Por exemplo, os conflitos que surgem porque alguém foi desrespeitoso com os colegas ou porque “não vai com a cara” do companheiro de trabalho.

Nesses casos, uma boa gestão de conflitos inclui prevenir as desavenças.

Os conselhos de quem trabalha com RH

Para entender os caminhos para aproveitar melhor os conflitos que valem a pena ou que são inevitáveis, o Blog do Veduca entrevistou duas profissionais experientes em Recursos Humanos.

As conversas renderam um post sobre como lidar bem com as desavenças em equipe, que publicamos recentemente no Blog do Veduca.

Já as sugestões sobre como evitar os conflitos desnecessários ou que só tendem a trazer efeitos negativos você acompanha logo abaixo.

Essas observações gerais não dão conta de tudo o que você precisa saber, é lógico. A ideia é que sirvam como ponto de partida para uma reflexão sobre o que você tem feito e o que ainda pode fazer para semear um ambiente mais produtivo, se você for o/a chefe de alguém.

As dicas vieram da fundadora da empresa TMP Consultoria e Gestão, Tatiana Procópio.

Ela é graduada em Ciências Econômicas pela PUC-MG e especialista em Gestão Estratégica de Pessoas pela FGV. Trabalhou como gestora de pessoas por 14 anos na área de varejo e atualmente é consultora/diretora da TMP Consultoria e Gestão, Expertise em RH, sediada em Belo Horizonte.

Confira a seguir o que ela recomenda.

7 atitudes para que sua equipe nem entre em conflitos bobos

– Ouvir sempre

Um/a líder que faz boa gestão de conflitos, segundo Procópio, é aquele/a que ouve seus funcionários não apenas quando o problema já está instalado, mas todos os dias, como medida de rotina. Isso evita que os problemas se instalem.

“Conheça as pessoas que trabalham com você e esteja aberto a saber quais são os desafios que aquela pessoa enfrenta na vida pessoal e no trabalho”, ela sugere.

Nesse espírito, quando um funcionário for até você para contar sobre algo que o aflige, não encare esse bate-papo como perda de tempo ou como mais uma tarefa no checklist.

Veja isso como uma oportunidade de conhecer melhor aquela pessoa e de refletir sobre formas de aproveitar ao máximo o potencial dela.

– Demonstrar respeito na convivência diária

Gestão de conflitos: mergulhador faz sinal de Ok com a mão
“Bom dia! Tudo tranquilo aí no projeto?”: líder que se interessa pela opinião da equipe e acompanha o andamento do trabalho consegue resolver mais facilmente os conflitos antes que virem brigas.

Não adianta querer que a equipe venha reportar conflitos, se você não se mostra respeitoso/a com as pessoas que trabalham com você.

Alguns pequenos gestos são obrigatórios, segundo Tatiana.

“Tem chefe que não cumprimenta os funcionários, acredita? A pessoa nunca pergunta como o outro está, não tem interesse pelo funcionário que está ali”, ela se espanta.

Chefes com esse perfil certamente não receberão as informações que precisam receber para solucionar conflitos a tempo.

Mesmo algum grau de convivência com a equipe fora da sala de reuniões ou do ambiente de trabalho em si pode ser benéfico.

Ir tomar um café com a equipe ou almoçar em grupo, de vez em quando – e sem falar só de trabalho – são ações que qualquer chefe pode tomar para quebrar a barreira que impede diálogos mais autênticos.

– Não misturar vida pessoal com vida privada

Na ponta oposta ao desinteresse pelos funcionários está o “excesso de vida particular” na rotina da empresa.

Quando o/a líder da equipe começa a se meter demais nos assuntos particulares dos subordinados, aumenta o risco de conflitos, segundo Procópio.

O/a chefe até pode ser informal no tom, mas é importante que ele/a siga os processos da empresa, que não aceite que as regras sejam quebradas e que não deixe de exigir de todos o melhor que podem oferecer.

– Reconhecer o trabalho da equipe

Tatiana Procópio afirma que o reconhecimento dos acertos da equipe é uma medida profilática dos conflitos.

“Um simples ‘parabéns’ a quem fez um bom trabalho leva as pessoas a sentirem que estão sendo vistas”, ela diz.

Isso pode reduzir sentimentos como ciúmes, inveja ou sensação de injustiça, que são fontes de conflitos desnecessários.

“Explicar como o trabalho que aquela pessoa fez gerou frutos é algo que o líder precisa fazer, nem que seja por uma questão de produtividade”, resume.

– Manter uma comunicação oficial com a equipe

A comunicação institucional sobre as novidades da empresa ajuda a evitar a percepção de que as oportunidades são para poucos.

Sabe quando uma vaga interna é aberta ou surge a chance de alguém da equipe fazer um curso, e algumas pessoas reclamam que sequer ficaram sabendo da oportunidade, porque não fazem parte da “panelinha”? Pois é, ter um canal oficial de informação e mantê-lo atualizado serve para evitar esse tipo de alegação.

“Pode ser um painel em cima da geladeira, um jornalzinho simples ou um e-mail semanal enviado a todos”, exemplifica Procópio.

Também vale a pena padronizar oficialmente os comportamentos que dão margem a conflitos. Crie um manual de conduta, se necessário.

Por exemplo, sua equipe precisa fazer plantão com frequência? Compartilhe um documento simples com o time sobre quais são as regras para definir quem estará de plantão. Isso ajuda a evitar incertezas e serve como referência quando uma dúvida surgir.

Outro exemplo: você trabalha em um serviço de atendimento a clientes e há regras sobre como se vestir no ambiente de trabalho? Deixe-as bem claras, de preferência impressas e afixadas em uma parede que não esteja à vista dos clientes, para mitigar o risco de conflitos do tipo: “o chefe reclama da roupa de um, mas não da de outro”.

– Não deixar política e religião se inserirem em temas do trabalho

Parece uma dica boba, mas segundo Tatiana, é cada vez mais comum ver conflitos porque a empresa ou alguém da equipe leva esses temas para o trabalho.

Com o clima polarizado do Brasil atual, ficou ainda mais importante que os/as líderes sejam claros/as quanto à necessidade de imparcialidade política e religiosa no ambiente corporativo.

Na esfera privada, todo mundo tem direito a se expressar sobre suas preferências partidárias ou a seguir a religião que quiser, mas na grande maioria dos casos, esses temas não cabem na rotina das companhias.

É papel do/a chefe zelar por um ambiente em que todos se sintam respeitados, inclusive quando isso exige que ele/a peça a um funcionário que pare de fazer campanha ou pregação na hora do expediente.

– Propiciar momentos de convivência

As festinhas de aniversariantes do mês parecem bobas ou até constrangedoras, para algumas pessoas, mas esses momentos de convivência informal podem reduzir os preconceitos de uma equipe com a outra, segundo Tatiana Procópio.

Ela conta que trabalhou em uma empresa em que duas áreas operacionais se davam mal. Funcionários de uma área falavam mal da outra, e ambos os times se viam como arrogantes e pouco cooperativos.

A especialista resolveu o problema chamando as equipes para atividades conjuntas.

Quando os funcionários interagiram fora da dinâmica comum do trabalho, viram que as outras pessoas até que eram agradáveis. A tensão na relação de trabalho diminuiu e a empresa evitou conflitos desnecessários, segundo Procópio.

Saiba mais sobre gestão de conflitos em equipe

  • Neste post do blog do Trello, Paulo Magalhães comenta sobre a gestão de conflitos e a diferença entre conflito e confronto. A leitura é interessante!

  • Tem um tempinho e quer ouvir mais sobre gestão de conflitos em equipe? O vídeo abaixo, do canal da Escola de Governo, traz uma palestra de duas horas do professor Jean Bartoli, da FIA, sobre a Ética na gestão de equipes. Um dos pontos que ele aborda é o da importância de o gestor ter cuidado com as pessoas, em momentos de conflitos (a partir de 1:22:00)

  • Gostou de saber mais sobre como a gestão de conflitos tem sido usada na prática? No curso online de Gestão de Pessoas do Veduca, você pode conhecer outros conceitos e práticas importantes para líderes de equipe. Confira!

  • Além da gestão de conflitos, uma habilidade importante para líderes de equipe é saber dar feedback de maneira efetiva. Neste post do Blog do Veduca, mostramos alguns caminhos para quem quer usar o feedback com maestria.

Créditos das fotos

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