Diversidade nas empresas: conheça sete organizações que apoiam a causa

Diversidade nas empresas: conheça sete organizações que apoiam a causa

A mensagem de que a diversidade nas empresas contribui para trazer eficiência dá sinais de estar se espalhando pelo mundo corporativo brasileiro. As evidências são significativas: para começar, nos últimos cinco anos, grupos de funcionários que promovem a inclusão de mulheres, negros e pessoas LGBT+ pipocaram em algumas das principais companhias do país. Marcas como Uber e Skol passaram a apoiar financeiramente eventos como a Parada LGBTI+ de São Paulo, em uma estratégia de marketing que tem o público interno como um de seus alvos. As principais publicações de negócios também dedicaram capas, edições especiais e reportagens ao tema (veja indicações algumas dessas matérias no fim deste post). Além disso, empresas de consultoria e institutos de pesquisa passaram a medir com mais atenção os efeitos da diversidade nas empresas – ou da falta dela – e a divulgar conclusões importantes sobre o tema, como mostra este post do Blog do Veduca. Surgiram, ainda, novas ferramentas para levar o tema para dentro das empresas, como o curso online grátis sobre LGBT+ do Veduca, por exemplo.

Porém, o movimento no sentido de ampliar a inclusão não significa necessariamente que as companhias estejam evoluindo rapidamente e nem que elas saibam como avançar. Em muitos casos, uma das estratégias mais úteis para descobrir esse caminho tem sido a de se associar a organizações multissetoriais que trabalham pela diversidade nas empresas. Ainda não existem tantas, no Brasil, mas elas já cumprem um papel importante como fontes de informação e espaços de troca de experiências entre as corporações.

No post anterior do Blog do Veduca, contamos como funciona uma dessas organizações, o TransEmpregos, um projeto que apoia a contratação de pessoas trans e capacita as companhias que buscam ser mais inclusivas para indivíduos de todas as orientações de gênero. Neste post, você vai saber mais sobre outras sete organizações que estão trabalhando pela diversidade nas empresas brasileiras.

Fórum Brasil Diverso

Fundado em 2017, o Fórum Brasil Diverso é a mais recente organização multissetorial dessa lista. Foi criado na capital paulista, por representantes de mais de 20 companhias, que se reuniram para  debater formas de ampliar a diversidade nas empresas brasileiras. Esse encontro foi resultado das três edições do Fórum São Paulo Diverso, promovido pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo, entre 2014 e 2016. O secretário municipal à frente dessa pasta, na época, Maurício Pestana, é um dos coordenadores do Fórum Brasil Diverso.

O foco da organização é catalisar a equidade de gênero e raça nas corporações, a partir da experiência e do prestígio de seus membros. Entre as estratégias para alcançar esse objetivo estão a realização de encontros sobre o tema, o desenvolvimento e a divulgação de pesquisas sobre inclusão e a criação de oportunidades para aumentar a visibilidade de profissionais que trabalham pela inclusão.

As empresas participantes incluem Bayer, Itaú e a revista Raça. Essas companhias assumiram compromissos como estimular discussões e implementar ações sobre igualdade racial e de gênero dentro e fora das empresas e compartilhar com os outros membros do grupo suas experiências e desafios na realização desse esforço. Como apoio a potenciais novos parceiros, o Fórum oferece cartilhas, palestras, pesquisas internas e consultoria para implantação de medidas de inclusão e diversidade nas corporações.

O site do Fórum Brasil Diverso é https://forumbrasildiverso.org

Women in Leadership in Latin America

O nome da organização está em inglês, mas o time que a compõe é predominantemente brasileiro. A Women in Leadership Latin America (WILL) é um fórum de debates e também um espaço permanente para estimular a presença e a valorização das mulheres em posições de destaque nas companhias que atuam na América Latina.

Alguns dos objetivos do WILL são estimular o desenvolvimento socioeconômico da mulher em todos os níveis, ajudar empresas latino-americanas a implementar programas relacionados ao protagonismo feminino nos negócios e promover o intercâmbio de melhores práticas entre as corporações.

As sedes do WILL ficam em São Paulo e Nova York, e a do Conselho Consultivo encontra-se em Londres. A liderança é majoritariamente feminina: as diretoras do conselho são três executivas de empresas como o banco Itaú e o escritório de advocacia Machado Meyer Sendacz & Oppice. Além disso, o Conselho da organização inverte a proporção de gênero que se costuma observar nas companhias: há 19 mulheres e um homem.   

Um dos eventos mais recentes realizados pelo grupo foi o seminário “Convidando os homens para o debate: liderança feminina gera lucro”, realizado em São Paulo, em junho de 2018. O destaque do encontro foi que os homens que estavam representando Unilever, Brystol-Meyers, Schneider Electrics e Johnson & Johnson em um dos painéis concordaram que as empresas em geral devem criar uma política de cotas para elevar a presença das mulheres em cargos de liderança.

O site do WILL é http://www.latamwill.org/

Diversidade nas empresas: mulher usando um computador

Mulher em um ambiente de trabalho: desempenho das empresas que têm representatividade feminina significativa no Conselho supera o das que não têm, diz ONG do setor.

Women Corporate Directors

A Women Corporate Directors (WCD) Brazil é a versão brasileira de uma fundação americana com atuação global, que busca incentivar boas práticas de governança corporativa e, particularmente, aumentar a participação feminina nos Conselhos de Administração.

Uma das formas de ampliar a presença feminina nos Conselhos, segundo a organização, é elevar a quantidade de mulheres qualificadas para atuar nesses espaços, o que significa que o trabalho do grupo não se restringe somente aos níveis mais elevados de gestão, dentro das empresas, mas a todos os níveis, já que a formação de uma massa crítica de profissionais com habilidades de tomada de decisão é um dos fatores fundamentais para que mais mulheres cheguem aos postos de liderança. Por isso, a rede permite a troca de experiências não só entre executivas que já atuam em Conselhos, mas também entre aquelas que aspiram a chegar a essa posição.

Na prática, além de funcionar como ponte entre mulheres que desejam aprender umas com as outras, a organização também promove seminários com temas como “Que ações podem ser tomadas para acelerar a presença das mulheres nos Conselhos” e “Ecossistema de Governança: inovação e legado”. Alguns dos encontros são apoiados pela Bloomberg, uma das mais influentes empresas de tecnologia e dados para o mercado financeiro e dona de um site e um canal de TV de notícias sobre finanças e negócios.  No Conselho do grupo, o nome mais conhecido é o de Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho do Magazine Luiza e referência em participação feminina no mundo corporativo.

Para estimular a diversidade nas empresas, a WCD também propaga a ideia de que companhias em que o Conselho conta com participação feminina significativa tendem a superar aquelas onde isso não acontece, em termos de criação de valor para os acionistas. No entanto, a organização destaca que o Brasil está longe de chegar a um cenário de representatividade elevada: segundo levantamento da consultoria Enlight, realizado em 2017, 70% das empresas que compunham o Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo, naquele ano, não possuíam  sequer uma mulher em seu Conselho.

Para contatar a WCD,  Brazil, mande uma mensagem pelo Facebook: https://www.facebook.com/pg/wcdbrazil/about/?ref=page_internal

Out&Equal

A Out&Equal é uma ONG sediada em San Francisco e que tem como objetivo promover a igualdade de oportunidades para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgêneras e intersexuais (LGBTI)  no ambiente corporativo. A organização não têm um braço brasileiro de atuação, mas desde 2016 realiza anualmente o Fórum Out&Equal Brasil, que reúne em São Paulo representantes de grandes empresas para discutir os desafios e avanços da inclusão de indivíduos de todos as orientações sexuais e de gênero no mercado de trabalho. O encontro anual tem o patrocínio de corporações como Itaú, Dell, J.P. Morgan e Ambev.

Outra forma de atuação da Out&Equal no Brasil é o oferecimento anual de um Prêmio de Excelência a uma empresa e a uma pessoa que se destacaram na busca por igualdade de oportunidades nas organizações. As companhias finalistas de 2018, por exemplo, são Atento, Braskem, IBM e Mattos Filho. O prêmio ajuda a dar visibilidade para as boas iniciativas no setor empresarial e reconhece, também, que a ação individual pode fazer a diferença.

As iniciativas da Out&Equal no Brasil complementam as medidas globais que a ONG toma para estimular a diversidade na  empresas e permitir a troca de experiências. Uma das ações mais populares é a realização de seminários virtuais periódicos, em que funcionários de companhias reconhecidas compartilham como suas organizações estão trabalhando pela inclusão LGBTI e, ao fim da sessão, respondem às perguntas enviadas pelos participantes.

A ONG ainda oferece recursos como uma cartilha sobre o cenário dos direitos LGBTI em diversos países, inclusive o Brasil, uma rede de discussão entre empresas sobre suas práticas de inclusão, um blog com notícias relevantes sobre esse tema e uma bolsa de formação de líderes em inclusão e diversidade nas empresas, para formação de multiplicadores desse trabalho em diferentes partes do mundo.

A página para o evento da Out&Equal no Brasil é http://outandequal.org/event/brazil2018/.

Fórum de Empresas e Direitos LGBT

Criado por brasileiros, em 2013, o Fórum de Empresas e Direitos LGBT já é uma das principais organizações pela inclusão profissional no Brasil. A organização produz manuais e cartilhas, pesquisas e artigos sobre o tema. Também participa de debates públicos, ajuda a levar o tema para a imprensa e organiza encontros periódicos para que as companhias conheçam casos de sucesso e debatam desafios da ampliação da diversidade nas empresas. Desde sua fundação,  o Fórum promoveu 15 encontros, com temas como “a importância do envolvimento do alto escalão da empresas com a diversidade” e “como lidar com possíveis conflitos relacionados aos direitos LGBT”.

Uma iniciativa central do Fórum foi a construção do documento “10 Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+”, que oferece uma estrutura para que as corporações signatárias avancem na busca por inclusão e facilita o diálogo sobre o tema dentro da empresa e entre as companhias. Ao assinar um carta de adesão, a corporação passa a se guiar por indicativos de ação e indicadores de profundidade que detalham cada um dos compromissos que ela topou respeitar. Os compromissos vão de medidas relativamente simples, como como criar grupos de afinidade LGBTI+ para os funcionários, até ações que podem exigir mudanças mais complexas, como promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas LGBTI+ nas cadeias de valor. O Fórum monitora a evolução das empresas, em seu conjunto, por meio de pesquisas e encontros.

O grupo de cerca de 60 empresas signatárias dos 10 compromissos inclui multinacionais como Coca-Cola, Facebook e SAP, mas também companhias que oferecem serviços públicos, como o Metrô do Rio de Janeiro.

O site do Fórum é http://www.forumempresaslgbt.com/nossa-historia/.

Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero

A Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero é uma iniciativa com vários “pais e mães”: Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Instituto Ethos e Institute for Human Rights and Business (IHRB). Conta também com o apoio do Movimento Mulher 360, do Instituto Carrefour, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do programa Fundo Newton, oferecido pelo governo do Reino Unido e pelo Conselho Britânico.

Tem como objetivo criar um espaço de debate, troca de experiências e estímulo à implementação e ao aprimoramento de políticas públicas e práticas empresariais pela inclusão. Uma das ações do grupo foi convidar empresas a compartilharem suas práticas em uma área específica de inclusão e diversidade em que estejam se destacando. Por exemplo, a Natura apresentou detalhes de como trabalha pela “promoção da equidade de gênero na ocupação de cargos de liderança”, enquanto a Du Pont mostrou seu “programa de diversidade na cadeia de suprimentos”. Esses casos estão disponíveis no site da Coalizão.

Para aderir ao grupo, as companhias precisam assinar uma Carta Compromisso, com objetivos internos, como “promover uma cultura de tolerância zero à discriminação racial e de gênero e de incentivo à equidade em nossos setores, cadeias de valor e entorno”, mas também externos, como o que diz que as signatárias trabalharão para “influenciar políticas públicas em um esforço coletivo para superar a discriminação racial e de gênero, e desta interseccionalidade”.

O site da Coalizão é http://www.equidade.org.br/coalizao

Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades

Criado em 1990, o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) é uma organização não-governamental que produz conhecimento, desenvolve e executa projetos voltados para a promoção da igualdade de raça e de gênero.

O Ceert tem um modelo um pouco diferente do de outras organizações multissetoriais, por promover uma série de projetos de apoio a indivíduos e comunidades que extrapolam o ambiente corporativo. Por exemplo, o Centro de Estudos criou o Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero, que reconhece ações pioneiras nessa área, e um serviço de assistência jurídica a pessoas vítimas de discriminação.

O ponto comum do Ceert com os outros grupos dessa lista é que a organização também se dedica a engajar empresas e órgãos públicos em ações pela inclusão, como as políticas afirmativas. Aliás, a organização foi uma das primeiras a levar essa discussão para o mercado de trabalho, ao promover eventos sobre igualdade de oportunidades já nos anos 1990.  De lá para cá, o papel do Ceert no ecossistema das organizações multissetoriais tem sido o de promover estudos sobre o impacto das políticas afirmativas, diagnósticos em organizações como Febraban e Oxfam, além do apoio à Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero (ver acima).

O site do Ceert é http://www.ceert.org.br/

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