Desigualdade de gênero: desenho de uma família.

Desigualdade de gênero: estatísticas mostram como o Brasil está

Os supermercados, as portas de escolas e mesmo os locais de trabalho são alguns dos lugares onde a desigualdade de gênero no Brasil costuma fica evidente.

Conheça o curso online Assédio Sexual: Prevenção e Combate, do Veduca!

Observe as pessoas que ocupam os postos mais altos da empresa onde você trabalha e verá que, provavelmente, há mais homens do que mulheres. Em contraste, olhe a proporção de clientes do gênero masculino e do gênero feminino no caixa do local onde você compra alimentos. É provável que haja mais mulheres fazendo a “compra da semana”, não? Ao passar por uma creche ou escola na hora da saída, repare quem vai buscar as crianças. Também deve haver mais mulheres.

Constatações como essas podem caracterizar a desigualdade de gênero. Esse conceito engloba as diferenças entre homens e mulheres no acesso a oportunidades profissionais e educacionais, de saúde, lazer, participação política e representação simbólica, entre outras.

A discussão sobre desigualdade de gênero é tradicionalmente associada a questões como remuneração, tempo dedicado ao cuidado com outras pessoas e dedicação a tarefas domésticas.

Isso porque, no mundo inteiro, mulheres recebem salários menores do que os homens para desempenhar as mesmas funções. Elas também ocupam menos postos de liderança nas empresas e têm uma representação muito mais baixa na política, na arte e na ciência. Além disso, precisam gastar uma parte maior do seu dia com trabalhos necessários para manter o funcionamento da casa e o bem-estar da família.

Para muitas mulheres, nem seria preciso fazer uma pesquisa para mostrar todas essas diferenças. Elas vivem tudo isso. Porém, para governos e organizações sociais, medir a desigualdade de gênero tem se tornado cada vez mais importante, tanto para avaliar a dimensão do problema quanto para propor medidas que combatam esse tipo de disparidade.

Estudos têm mostrado uma relação clara entre desigualdade de gênero e redução no ritmo de desenvolvimento. Um país tende a se tornar mais desenvolvido quanto mais igualitárias ficam as oportunidades que homens e mulheres têm de estudar, trabalhar, se sustentar e participar da vida política e cultural.

Reduzir a desigualdade de gênero é bom para todos

Para ficar em apenas um exemplo de pesquisa que aponta essa ligação, um levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado em 2017, concluiu que reduzir a desigualdade de gênero em até 25% até 2025 poderia adicionar 5,8 trilhões de dólares à economia global e aumentar as receitas dos governos. No Brasil, o efeito seria um aumento de até 382 bilhões de reais, com um acréscimo de 131 bilhões de reais aos cofres públicos, em forma de tributos.

A explicação é lógica: mulheres representam metade da população mundial. Garantir sua qualidade de vida é importante por si só. Para além disso, centros globais de liderança, como a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) têm constatado que oferecer melhores oportunidades às mulheres beneficia também os homens.

Algumas das causas são o fato de o cuidado com as crianças e as comunidades, principalmente nos lugares mais pobres do planeta, serem tarefas lideradas pelas mulheres.

Estudos indicam que as mulheres investem, em média, mais que o dobro do que os homens no bem-estar da família, por exemplo. Essa é uma das razões para que programas sociais no mundo inteiro, inclusive o Bolsa Família, entreguem nas mãos das mulheres o benefício ao qual as famílias têm direito.

Na visão de organismos como a Organização das Nações Unidas (ONU), eliminar a desigualdade de gênero é uma das condições para que o mundo erradique a pobreza e consiga resolver diversos outros problemas.

Não à toa, alcançar a igualdade entre homens e mulheres é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), um plano de ação central para fazer do mundo um lugar mais habitável até 2030.  

O Banco Mundial compartilha dessa perspectiva. Para o vice-presidente do Departamento de Redução da Pobreza e Gestão Econômica da organização, Otaviano Canuto, “além de moralmente condenável, manter a desigualdade de gênero é uma estupidez econômica”, como mostrou esta reportagem da Carta Maior.

Conhecer as estatísticas sobre desigualdade de gênero, portanto, é fundamental para entendermos o mundo, o país e o nosso próprio dia a dia. Por isso, vamos aos números!

Desigualdade de gênero no Brasil, em números

Desigualdade de gênero: mulher lavando um cacho de uvas.
Mulher lavando uvas: por semana, as brasileiras dedicam 7,6 horas a mais do que os homens brasileiros a tarefas necessárias ao cuidado com a casa e a família, como o preparo das refeições.

O Blog do Veduca selecionou três dados reveladores da desigualdade de gênero no Brasil. Confira a seguir.

95º

Essa foi a posição do Brasil, em 2018, no Ranking Global de Desigualdade de Gênero, divulgado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, organização que promove o conhecido encontro de líderes globais em Davos, na Suíça. Quanto mais alto um país está no ranking, menor é a lacuna entre mulheres e homens naquela nação .

O Brasil encontra-se três posições acima da linha que separa a metade mais avançada da menos avançada, entre os 149 países considerados pelo levantamento. Ou seja, estamos levemente melhor do que a média global. Levando-se em conta alguns dos maiores países do mundo em população, ficamos acima de países como China (103º), Índia (108º), Japão (110º) e Turquia (130º), mas muito abaixo de França (12º), Alemanha (14º) e Estados Unidos (51º). Os primeiros colocados foram Islândia (1º), Noruega (2º) e Suécia (3º).

Além da grande maioria dos países desenvolvidos, várias das maiores nações em desenvolvimento também se classificaram à frente do Brasil, incluindo África do Sul (19º), Argentina (36º), Colômbia (40º) e México (50º). Entre os latino-americanos, os que apresentam menor desigualdade de gênero são Costa Rica (22º), Cuba (23º) e Bolívia (25º), que se encontram pelo menos 70 posições acima do Brasil.

Observando-se os rankings que compõem o índice geral, fica claro que o Brasil obteve sucesso em dois aspectos importantes. Um deles é o da escolaridade. O país divide com outros 24 a posição de número 1 do ranking de igualdade de acesso aos estudos. Na realidade, no Brasil, assim como em vários desses outros países, as mulheres já estudam por mais tempo do que os homens.

Também no critério da expectativa de vida, o Brasil sobressai. O país faz parte da lista de 40 nações onde mulheres e homens vivem, em média, pelo mesmo período ou até mais do que os homens.

Duas das explicações para a vida mais longa das brasileiras, em relação aos brasileiros, é que eles morrem muito mais do que elas por causas violentas, como homicídios, e vão menos ao médico para prevenir e tratar doenças.

Nos demais itens da avaliação do Fórum Econômico Mundial, porém, a situação brasileira é bem negativa para as mulheres. Os quesitos participação e oportunidades econômicas (92º), assim como participação política (112º), puxam a nota geral do Brasil para baixo.

Como explica o relatório da organização, “o país protagonizou um significativo retrocesso no caminho rumo à paridade de gênero, em sua maior parte provocado pelos resultados ligados ao item da participação econômica”.

Em uma comparação com anos anteriores, o Brasil observou altas e quedas no ranking, mas o saldo geral é mais negativo do que positivo, na comparação com outros países. Em 2006, primeiro ano do levantamento, a posição brasileira era a de número 67 no ranking, com nota geral 0,654. Em 2018, o país caiu para o 95º posto, com nota geral 0.681.

Isso quer dizer que apesar de a nota absoluta do Brasil ter subido, a posição relativa caiu bastante. A razão é que o Brasil conseguiu reduzir a desigualdade de gênero, nos 12 anos que a avaliação abrange, mas outras nações diminuíram ainda mais rapidamente a lacuna entre mulheres e homens.

Em 2017, o Brasil encontrava-se no 90ª lugar, na lista do Fórum Econômico Mundial. Em 2016, estava em 79º, o que mostra que uma parte significativa da perda de posições no ranking, na comparação com o primeiro ano da pesquisa, se deu recentemente.

7,6 horas

É esta a diferença entre o número de horas semanais que as mulheres e os homens com ocupação fora de casa dedicam aos afazeres domésticos e aos cuidados com outras pessoas, como crianças e idosos.

Os dados são da pesquisa Estatísticas de Gênero – Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, divulgada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o IBGE, as brasileiras com mais de 14 anos que têm alguma ocupação fora de casa dedicam 18,1 horas semanais por semana à casa ou às tarefas para o bem-estar da família, enquanto os homens de mais de 14 anos que também têm ocupação fora de casa gastam 10,5 horas por semana nessas mesmas atividades.

Os dados reforçam o conceito da “dupla jornada” feminina, termo que retrata a realidade de boa parte das mulheres que trabalham fora de casa, mas que também têm uma rotina puxada de trabalho dentro de casa.

Ainda de acordo com o levantamento, os brasileiros do sexo masculino trabalham 51,5 horas por semana, somando-se o trabalho remunerado e o da casa. As brasileiras, por sua vez, gastam 54,4 horas da semana nessas tarefas. Em resumo, as mulheres trabalham mais do que os homens, em média.

24%

É a diferença entre o rendimento médio das mulheres (R$ 1.879) e o dos homens (R$2.469) no Brasil, segundo levantamento divulgado pelo IBGE em 2017.

Em 2018, a Fundação Tide Setubal publicou esta bela compilação de dados a respeito da desigualdade de gênero no país, com destaque para os aspectos econômicos.

Como aponta a Fundação, mesmo com a população feminina tendo escolaridade média maior do que a dos homens, elas ainda ganham menos, inclusive nas capitais mais ricas.

Em São Paulo, segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Fundação Seade, as mulheres receberam em 2017 o equivalente a 87% da remuneração recebida pelos homens.

“A diferença entre os rendimento médios de ambos os sexos vem diminuindo ao longo do tempo. Em 2016, por exemplo, ela era de 84%. Isso é uma boa notícia, mas nem tanto, pois a mudança não se deve a um crescimento da remuneração das mulheres, e sim a uma diminuição do salário dos homens, em decorrência da crise”, afirmou Márcia Guerra, analista da Fundação Seade, em entrevista à Fundação Tide Setubal

Outro recorte que a organização destaca é o racial. Segundo levantamento da economista e professora da Unicamp Marilane Teixeira, com base em dados do IBGE, o desemprego cresceu mais entre as mulheres negras durante a crise, indo de 9,2% em 2014 para 15,9% em 2017. Entre as mulheres brancas, a taxa de desemprego subiu de 6,2% em 2014 para 10,6% em 2017.

“As conquistas obtidas coletivamente pelo feminismo acabam privilegiando as mulheres brancas em função da persistência do racismo sobre as mulheres negras. Por outro lado, as conquistas obtidas pelo movimento negro terminam por privilegiar homens negros em função do sexismo”, afirma Sueli Carneiro, militante feminista e anti-racista, coordenadora executiva do Geledés Instituto da Mulher Negra e membro do conselho da Fundação Tide Setubal.

Nesta entrevista ao site da Fundação, Carneiro fala mais sobre esse tema.

Quer saber mais sobre desigualdade de gênero?

  • Um dos vários problemas que afetam mais as mulheres do que os homens é o assédio sexual. O Veduca e a start-up Women Friendly uniram-se para criar o curso online Assédio Sexual: Prevenção e Combate, disponível no Veduca. Dê uma olhada no perfil do curso!

  • Esta reportagem da Bloomberg (em inglês), recém-publicada, ilustra a desigualdade de gênero no mundo por meio dez gráficos bem interessantes.

  • O vídeo abaixo é do canal Hidra Educacional, que publica conteúdos sobre temas de interesse de estudantes brasileiros. Os protagonistas do canal se debruçaram sobre a desigualdade de gênero e trouxeram análises interessantes sobre o assunto.

  • Votar em mulher faz diferença para a redução da desigualdade de gênero? Neste artigo no Medium, Alice Quintão defende que sim e explica por quê.

  • É difícil encontrar dados surpreendentes sobre desigualdade de gênero, já que as discrepâncias salariais e na casa fazem parte da rotina de quase todo mundo, mas este post do Fórum Econômico Mundial, publicado há poucas semanas, conseguiu mostrar que há outros campos em que as diferenças no acesso a oportunidades estão presentes. Por exemplo, você tinha ideia de que as mulheres têm uma probabilidade 47% maior de sofrer lesões graves, em caso de acidentes de carro, porque os equipamentos de segurança são desenhados para os homens? Veja esse e outros dados no post (em inglês).

Créditos das fotos

Compartilhe este post:

Comentários

  1. When there is a talk on online casino games, certainly players
    will come forth with their experience numerous version of poker, particularly
    holdem poker game. Though most ultimate casino-based games
    are games of luck, if you know how perform holdem
    poker, you can enduringly outsmart others amongst players.
    Holdem poker includes vast number of players in a play.

    If you’re interested to join that cult of folks, this is the ideal time for educate tips on how to play holdem poker.

    Roulette is often a game as a result easy realize and a lot
    less difficult to play, there are a variety of bets
    to make, as with Craps, nevertheless the game just isn’t as difficult as Craps.

    Roulette: Farmville does n’t want an introduction, even for
    many who have never tried casino games. All you need to
    do is just select the hue and fortune wheel will tell you who the
    winner is.

    Are you convinced? You have to. The above things to like about playing online are
    one or two of a variety of reasons you will wish to play at residential
    home. These are the focal a few reasons why I
    love playing from my own house. In my vast experience playing ace333 top player fro real money, I believe these reasons are adequate to keep me out of the typical casinos on land all around
    the globe.

    As we gamble we always have the chance to win the game,
    in a great deal of as having the chance to learn and experience many matters.
    We have the believing that occupy positive thought exactly how to we will certainly make
    our gaming plan and strategy far better and much
    cool than before. As being a gamer right now the best intention to live in just different it towards top along
    with other else, currently have our own goal discussing on the way you could enjoy everything while earning.
    In this particular way looking and requiring best strategy would surely help people to get well and fast to vehicle tricks for this game.

    The general idea in blackjack is close probably to 21 without exploring 21.
    In blackjack betting not against anyone besides the dealer and so just
    in order to closer to 21 without busting he or she.
    In case you pass is known as ‘busting’ so your hand is completed.
    In case the car dealer will pass and you not done you win the personally.

    If you’re yet convinced and find out rather adventure
    into a crowded, smoky, germ laden gambling hall, I still wish you
    much luck. One thing to consider when heading to be
    able to a typical big city casino may be the without even having to
    start your front door, might open other doors to winning
    dough. http://www.suonet.net/home.php?mod=space&uid=250535&do=profile&from=space