Ajuda para Brumadinho: mãos formam um coração

Ajuda para Brumadinho: como contribuir sem cair em golpes

Uma corrente incrível de ajuda para Brumadinho tem contribuído para amenizar o sofrimento das pessoas e dos animais afetados pelo rompimento de uma barragem da mineradora Vale. Porém, assim como fortalecem a solidariedade, os momentos de tragédia também criam a oportunidade para a ação dos aproveitadores. Mensagens pedindo doações para contas que não pertencem a nenhuma organização de apoio têm circulado pelo whatsapp e induzido usuários da rede a enviar dinheiro a golpistas, como mostrou essa reportagem de Felipe Payão, no site TecMundo.

Além das fake news propositais, a desinformação por causa do ritmo em que as mudanças ocorrem também impede que as boas intenções se transformem em ajuda real. Algumas das principais organizações envolvidas no acolhimento às vítimas do desastre informam que já receberam doações em quantidade suficiente, mas seguem recebendo bens para as famílias afetadas.

O excesso de doações pode até atrapalhar os grupos de apoio, pois obriga suas equipes a aplicar tempo e esforço, que poderiam ser empregados em outras ações, na tarefa de receber e armazenar esses produtos.

Isso não significa que não há mais espaço para quem quer ajudar a melhorar um pouco a vida dos moradores da região. Algumas iniciativas criadas em solidariedade aos indivíduos que perderam suas suas famílias e suas casas seguem recebendo de bom grado a oferta dos doadores.

Para direcionar o apoio às organizações que ainda precisam e alertar para a possibilidade de golpes, o Blog do Veduca checou quem, de fato, ainda está recebendo doações. Veja abaixo como dar sua ajuda para Brumadinho sem cair em armadilhas. (informações atualizadas em 29/01/2019)

Quem está recebendo doações

Ajuda para Brumadinho: letreiro na entrada da cidade
Letreiro na entrada de Brumadinho: doações para as famílias afetadas pela tragédia podem ser feitas por meio de depósito na conta bancária de instituições de confiança.
Foto: Josué Marinho

Arquidiocese de Belo Horizonte

A Arquidiocese de Belo Horizonte lançou, logo após o rompimento da barragem da Vale, a campanha Juntos por Brumadinho. Voluntários e membros da Igreja Católica Apostólica Romana estão encaminhando alimentos e materiais de primeira necessidade para as famílias desalojadas.

Há duas formas de contribuir com a campanha:

* Se você está na Grande Belo Horizonte, pode levar os materiais diretamente ao centro de recolhimento de doações, no Vicariato Episcopal para Ação Social, que fica em Belo Horizonte, na Rua Além Paraíba, 208, Alagoinha.  Eles já receberam doações suficientes de alimentos, água e roupas, por isso, pedem que os doadores levem até o local apenas materiais de limpeza, em especial água sanitária e cloro, e produtos de higiene pessoal, principalmente absorventes, escovas e pastas de dente.

* Se você estiver em outras regiões do Brasil, pode fazer uma doação em dinheiro. Os recursos serão usados na compra de materiais de limpeza e de higiene para as pessoas atingidas pelo desastre, entre outros itens que sejam solicitados pelas famílias afetadas. A entrega dos produtos será feita diretamente às vítimas, por meio da ajuda de voluntários que estão em Brumadinho, mapeando e identificando as necessidades delas. Os produtos serão armazenados na Paróquia São Sebastião, no centro de Brumadinho, até serem encaminhados. O Vicariato se comprometeu a divulgar prestações de contas do uso dos recursos recebidos, no site da Arquidiocese de Belo Horizonte. Os dados bancários para a doação são os seguintes:

Banco do Brasil

Agência – 3494-0

Conta Corrente: 26227-7

CNPJ : 17.505.249/0280-80

Mitra Arquidiocesana de BH

Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política

Banco do Brasil

Entre as medidas emergenciais que o Banco do Brasil (BB) tomou para ajudar as vítimas do desastre está a abertura de uma conta corrente em nome da Prefeitura de Brumadinho, para receber doações da população. O recurso será utilizado para “necessidades urgentes da população local afetada” e as contribuições ainda são bem-vindas, de acordo com o banco.

Em nota, o BB afirma que o prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo, manifestou que “deseja a gestão compartilhada e com a máxima transparência sobre a destinação dos recursos”. Segundo o banco, Melo sugeriu a participação do Ministério Público na coordenação do uso dos recursos

Os dados bancários para mandar sua ajuda para Brumadinho são os seguintes:

Agência: 1669-1

Conta: 200-3 (SOS Brumadinho)

CNPJ: 18.363.929/0001-40

Caixa Econômica Federal

A Caixa também criou uma conta para receber doações a serem destinadas às vítimas da barragem e seus familiares. Ainda não está definido em que exatamente os recursos arrecadados serão utilizados, mas o banco informou que a gestão do dinheiro será feita em conjunto com a Prefeitura de Brumadinho.

Os dados da conta poupança para enviar uma ajuda para Brumadinho são:

Agência: 2808

Operação: 013

Conta: 3-5

Quem não precisa mais de doações

Os números da tragédia ficam cada vez mais graves. De acordo com o boletim mais recente, foram 84 mortos e 276 desaparecidos. Não há estimativas quanto aos desalojados, mas já se sabe que centenas de moradores do município perderam suas casas, que foram engolidas pela lama que se espalhou, e estão dependentes de apoio para contar com abrigo, alimentação, água potável e roupas, entre outras necessidades. Iniciativas de órgão oficiais, ONGs, empresas e mesmo grupos de indivíduos têm contribuído para levar às famílias aquilo de que elas precisam, mas muitas das organizações já não estão recebendo aportes.

Polícia Militar, Bombeiros, Defesa Civil e Servas

O Serviço Social Autônomo (Servas), uma organização sem fins lucrativos que atua em ações sociais e tem trabalhado com o governo mineiro no acolhimento às vítimas do desastre, e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do estado começaram a receber doações da população assim que o rompimento aconteceu. A solidariedade foi tamanha que, um dia depois da tragédia, o Governo de Minas Gerais publicou um vídeo (abaixo), em nome da Polícia Militar, dos Bombeiros, da Defesa Civil e da Servas, infomando que já havia recebido materiais suficientes para atender as necessidades das famílias que estão sendo socorridas.

Dois dias depois da publicação do vídeo, a Defesa Civil publicou um alerta em seu site reforçando que as doações estavam suspensas. O órgão afirma que não tem mais espaço para armazenar os produtos recebidos e, por isso, prefere evitar o desperdício de tempo e de bens perecíveis que o estoque de mais doações representaria. A Servas também divulgou nota agradecendo a mobilização popular e informando que já havia recebido materiais e voluntários em quantidade adequada à demanda deste momento.

Fundação Hemominas

A Fundação Hemominas que coordena as políticas de hematologia do estado, pediu a pessoas com tipo sanguíneo O- que doassem sangue, para o caso de as vítimas da tragédia precisarem de transfusões. Os funcionários do órgão trabalharam em regime intenso de plantão, no fim de semana após a tragédia em Brumadinho, para receber os doadores. Valeu a pena: o fluxo foi tão grande que houve filas para fazer as doações, que ultrapassaram em 50% a meta inicial. O estoque de sangue O-, que é o mais raro, encontra-se, agora, em nível adequado. Segundo a Fundação, que agradeceu em nota o empenho da população mineira, embora seja cedo para dizer que eles não precisam mais de sangue, a quantidade disponível é suficiente para a demanda prevista neste momento.

Quem quiser doar sangue para manter os estoques em alta, mesmo sabendo que a ajuda para Brumadinho já está garantida, pode agendar um horário pelo site da Fundação Hemominas.

Quer saber mais sobre iniciativas de ajuda para Brumadinho?

  • No programa Dinheiro na Conta, do canal de YouTube MyNews, a jornalista Larissa Santana conta como start-ups de tecnologia também estão dando sua ajuda para Brumadinho. As empresas estão oferecendo recursos tecnológicos, além de conhecimento científico e técnico, para contribuir com os resgates e o acolhimento de vítimas da tragédia. Jovens desenvolvedores brasileiros estão aplicando conceitos de machine learning para facilitar a localização de corpos na região do desastre, por exemplo. Assista ao vídeo abaixo e saiba mais. A conversa começa a partir dos 10:23..

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