Erros mais comuns do IR: como evitá-los

7 erros mais comuns do IR e como evitá-los

Equivocar-se na declaração do Imposto de Renda (IR) pode custar caro e ser um incômodo ao contribuinte. Ao cometer um dos erros mais comuns do IR (e mesmo outros, não tão comuns), inclusive aqueles causados por distração, o cidadão pode ser chamado a prestar contas à Receita Federal e ser obrigado a pagar multas, se for comprovado que a falha provocou perda aos cofres públicos.

Conheça o curso online de Finanças Pessoais do Veduca!

Por isso, é importante estar bem preparado para a declaração. No post anterior do Blog do Veduca, compartilhamos as dicas do sócio da Master Consultores, Nilton de Araújo Faria, sobre como se organizar para preencher o formulário online da Receita. Ele ofereceu uma lista de tarefas bem robusta, que pode ser seguida por qualquer pessoa que vai mergulhar no trabalho de prestar contas sobre seus impostos.

Já neste post, o especialista revelou alguns dos erros mais frequentes na declaração do IR, com base em seus mais de 20 anos de experiência de consultoria no tema. Também sugeriu, é claro, formas de evitar essas falhas.

Veja a seguir as dicas do Nilton e fique atento na hora de fazer a sua declaração!

Confira os erros mais comuns do IR

1) Trocar um número pelo outro

Parece óbvio, mas uma das dicas mais importantes para não errar no IR é checar mais de uma vez os números que você insere no sistema da Receita. É muito comum, segundo o sócio da Master Consultores, que uma falha na digitação leve o contribuinte a ser pego na malha fina.

“Lançou e não conferiu, dá problema”, resume Nilton.

Só para se ter uma ideia, se alguém que deve declarar uma aplicação de R$ 20.000,00 digitar R$ 200.000,00, a Receita pode entender que houve aumento de patrimônio sem uma fonte de receita que justifique o aumento. Um zero a mais pode fazer você perder tempo e dinheiro.

Por isso, antes de submeter a declaração, confira mais de uma vez se os números que você digitou estão corretos. Se puder, deixe para revisar a declaração algumas horas depois de preencher o formulário ou até no dia seguinte, para rever os números com um olhar “fresco”.

2) Esquecer algum rendimento ou aplicação

Para a Receita, deixar de declarar um ganho ou uma aplicação pode caracterizar “omissão de rendimentos”. Esse é um dos erros mais comuns do IR e é bem fácil cair na malha fina por isso.

Segundo Nilton, essa falha acontece principalmente com quem tem pouco dinheiro aplicado em um de seus investimentos, como uma poupança ou um fundo que a pessoa não movimentou naquele ano.

Mesmo valores baixos devem ser declarados. Também vale lembrar que não é só o valor da aplicação que precisa constar no IR, mas também o quanto o investimento rendeu naquele ano.

Uma forma de não deixar nenhum centavo para trás é comparar a declaração de 2019 com a de 2018. Cruze os campos relacionados a “Bens e Direitos” de um ano e de outro, para checar se mencionou, neste ano, todas as aplicações que informou no ano passado.

Lembre-se: mesmo que você tenha zerado uma conta ou aplicação, isso precisa aparecer no seu formulário. O bem do ano anterior não pode simplesmente “sumir” neste ano.

3) Ignorar os rendimentos dos dependentes

Essa é uma falha que afeta principalmente as famílias mais numerosas. Ao declarar dois ou mais dependentes, por exemplo, aumentam as chances de o contribuinte ignorar algum rendimento de um desses dependentes, o que gera problemas de inconsistência.

Por exemplo, se o seu filho ganha ajuda de custo como jovem aprendiz ou salário como estagiário e você o declara como dependente, essa renda deve constar no seu campo de rendimentos. O mesmo vale para idosos que recebem aposentadoria.

É importante notar que essa renda extra pode modificar o resultado final da sua declaração, ao elevar o volume de rendimentos tributáveis, por isso, cabe avaliar se de fato vale a pena declarar como dependente um filho ou pai que tenham alguma fonte de renda ou se é melhor que eles façam sua própria declaração separadamente.

4) Esquecer ou modificar despesas médicas

Muitos contribuintes optam pela declaração completa porque têm despesas médicas elevadas e com isso, conseguem abater um valor considerável da sua renda tributável.

Porém, não é incomum que essa prática gere problemas, por dois motivos. Um deles é que, para declarar despesas com saúde é necessário ter notas fiscais que comprovem os gastos. Não adianta declarar um valor acima do que você consegue comprovar, na expectativa de ampliar seu abatimento, se você não conseguir encontrar todos os documentos que podem ser solicitados depois pela Receita Federal.

O segundo motivo de complicações é que tudo o que o paciente declara tem que constar também na declaração do prestador de serviço. Assim, se você gastou R$ 1.000,00 com um procedimento médico e declarou esse valor, mas o médico declarou que recebeu só R$ 500,00, o órgão responsável pela gestão dos impostos pode exigir uma explicação para essa contradição. Esse é um dos erros mais comuns do IR.

Nos dois casos, seguir o que informa a nota emitida pelo prestador de serviços é o caminho correto para evitar dissabores futuros. Em outras palavras, sempre declare como despesa o valor que está na nota. Afinal, quando o médico emite a nota, é improvável que ele informe à Receita algo diferente do que declarou, ao expedir o documento.

5) Atualizar o valor de um bem móvel ou imóvel

O sócio da Master Consultores conta que já ouviu diversas vezes perguntas sobre esse tema. O valor de um bem móvel ou imóvel a ser declarado deve ser o de compra ou o atualizado por valor de mercado?

A resposta é: o de compra. Se você adquiriu um carro por R$ 50.000,00, em 2016, e manteve o veículo como parte do seu patrimônio, em 2018, esse é o valor que você deve declarar no IR. Não importa que o carro tenha desvalorizado R$ 20.000,00 desde então, por exemplo.

Somente no ano seguinte ao da venda do carro é que você deve informar quanto recebeu pelo bem. Supondo que em 2019 você negocie o mesmo automóvel por R$ 25.000,00, é na declaração de IR de 2020, referente ao ano-calendário 2019, que você deve informar que vendeu o bem e apontar que recebeu R$ 25 mil como pagamento.

A diferença entre o valor de compra do carro e o de venda, alguns anos depois, não altera a forma de declarar o bem ou a transação. Portanto, nada de ficar procurando a tabela Fipe (referência para o valor de mercado dos carros no Brasil) para “atualizar” quanto vale o bem. Esse é um dos erros mais comuns do IR e deve ser evitado.

No caso dos imóveis, a regra é a mesma. Você deve declarar o valor do bem sempre de acordo com o que pagou na época da compra, e não com o preço que imagina que o imóvel valha hoje. Nem mesmo a correção da inflação deve ser considerada.

Uma exceção é o caso de reformas que gerem melhorias significativas para o imóvel, como por exemplo, uma ampliação da área de uma casa para incluir novos cômodos.

Nesse caso, é interessante para o contribuinte indicar as despesas com as obras (materiais e mão de obra), como forma de aumentar o valor do imóvel na declaração. Isso reduzirá o imposto a ser pago no momento da venda do imóvel.

Esta matéria do site da Exame explica como informar despesas com reformas.

6) Somar o imposto sobre o 13º com o imposto sobre o salário

O imposto retido sobre o 13º salário não entra no cálculo da restituição, ao contrário do imposto retido sobre os outros meses. Por isso, é incorreto somar os dois itens.

No formulário da Receita, há campos separados para declarar ambos os valores — o do imposto retido sobre o 13º salário e o do imposto retido na fonte sobre os demais salários.

A Receita criou dois espaços separados justamente para prevenir que os contribuintes caiam nesse erro.

A solução para evitar essa distração é, novamente, conferir mais de uma vez se os valores que você informou na aba de rendimentos estão exatamente iguais aos que constam no seu informe de rendimentos.

Não é necessário fazer somas ou subtrações a esses valores, é só copiar o que vem no informe, que não tem erro.

7) Esquecer a pensão alimentícia

Tanto quem recebe quanto quem paga pensão pode acabar se esquecendo de declarar esse fato, o que costuma gerar problemas para os dois lados.

Para evitar ter que prestar esclarecimentos à Receita e ainda criar atrito com o ex-cônjuge, fique atento a esse item.

O valor informado, assim como no caso das despesas com saúde, deve ser igual nas duas declarações – a de quem envia o dinheiro e a de quem recebe.

Por isso, vale rever os depósitos ou as transferências bancárias, uma a uma, para se certificar de que o valor que você registrou no formulário está correto e vai coincidir com o que a outra pessoa informará.

O site da Época publicou recentemente esta reportagem sobre como declarar pagamento ou recebimento de pensão alimentícia. Fique atento!

Outras informações sobre os erros mais comuns do IR

  • Dos erros mais comuns do IR, aquele que provocou maior número de “vítimas”, em 2018, foi a omissão de rendimentos, como mostra esta reportagem do jornal O Tempo. É o que acontece no caso da pessoa que declara dependentes, mas deixa de informar a renda dessas pessoas em seu formulário, ou de quem esquece de especificar alguma aplicação ou conta bancária. Falhar em qualquer um desses procedimentos é um caminho bem rápido para a malha fina.

  • No vídeo abaixo, a executiva Tamara Gomes, da Grant Thornton, comenta sobre outros dos erros mais comuns do IR. O vídeo foi publicado em 2018, por isso, ela se refere, no começo do vídeo, ao prazo para entrega da declaração relativo ao ano passado. Porém, os trechos sobre como evitar problemas na declaração continuam atuais e valem a sua atenção.

  • Além de conhecer os 7 erros mais comuns do IR, você quer saber como cuidar da saúde financeira da família? Conheça o curso online de Finanças Pessoais, disponível no Veduca.

Créditos das fotos

Foto da chamada (louça quebrada no chão): chuttersnap no Unsplash. Veja aqui a foto.

Compartilhe este post:

Sem comentários